Comunicação é possível quando se aceita o outro.

Há alguns dias venho me deparando com essa situação no consultório de Psicologia onde trabalho como Psicóloga para surdos e nas redes sociais. Surdos esses usuários da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).

A imagem da internet ilustra uma situação cotidiana a precária comunicação nas famílias onde tem um membro surdo usuário da língua de sinais e o sentimento de “solidão”.

Parece existir uma barreira invisível entre surdos sinalizados e seus familiares.

De um lado estão os surdos convivendo com o silêncio, necessitando de amor e atenção e de outro lado estão os pais. Esses desejando vencer a “barreira do silêncio” tentando aceitar a surdez e ao mesmo tempo vivendo o luto do “filho perfeito”. Pais e filhos buscam uma forma de se relacionarem, de trocas afetivas. E nesse momento o trabalho do terapeuta se faz necessário e importante.

A família ainda é muito resistente quando o assunto é a surdez dos seus filhos. Eles anseiam e fazem de tudo para que seus filhos tenham a língua portuguesa falada como primeira língua e não a libras como deveria ser. Os familiares desejam que seus filhos “falem”, participem das conversas familiares usando o português falado e não a libras. Isso gera um desconforto enorme nos surdos e sérios problemas de relacionamentos.

Em um atendimento no consultório de Psicologia uma surda sinalizada me falava: “Minha mãe nunca se interessou por aprender Libras, nunca fez questão de entender e aceitar minha surdez, nas conversas em família sou a última a saber das coisas. Eu não gosto mais das conversas com minha família.”

Infelizmente isso é recorrente. O sentimento de rejeição é visível.

O luto do “Filho perfeito” precisa ser vivido e superado pela família e assim aceitar a surdez do filho e oferecer a ele todo o amor e segurança necessária para que o filho cresça emocionalmente sadio e com autoestima elevada.

Entender que ser surdo não é sinônimo de falta de inteligência, de caráter, de senso se pertencimento e liberdade de ir e vir. Surdez não aprisiona ninguém.

Termino com a citação do livro “As sete necessidades básicas da criança”  de John M. Drescher  “ Os pais não podem mudar a cor dos olhos de seu filho, mas podem dar aos olhos deles a luz da compreensão, do acolhimento e motivação para serem pessoas melhores a cada dia.”

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